Um parto orgástico! É possível?

por Amano Bela em 30/07/2008 na categoria Artigos

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Ontem assisti a um filme lindo, lindo, chamado Orgasmic Birth (parto orgástico). O filme fala sobre as possibilidade de o parto ser um momento de prazer, orgástico mesmo, pois é uma parte da vida sexual da mulher. A cultura ocidental é tão repressora que nos levou a esquecer que o parto é um evento fisiológico, natural, animal, e não uma doença, que requer toda a atenção médica. É claro que existem alguns riscos, mas eles são baixos, chegam a no máximo 10%, sendo que se olharmos pelo outro ângulo, então 90% dos partos podem acontecer tranquilamente,normais ou naturais, sem que haja risco para mãe ou bebê.

O problema é que pegaram estes 10% e transformaram em regra geral, fazendo com que todas as mulheres tenham que se submeter a situações hospitalares, cabíveis a um doente, em função de algo que é remoto. E muitas das intervenções hospitalares aumentaram este índice de riscos, fazendo com que o parto normal hospitalar se tornasse muito mais arriscado do que um parto que acontece naturalmente, sem intervenções. E a grande maioria das mulheres deixou de ter uma experiência de parto natural, ativa.

Quando o parto pode acontecer naturalmente, a mulher tem uma experiência transformadora, completamente diferente, e a relação com a dor muda de figura. Pois a dor do parto não é como qualquer dor, ela é nada mais que o movimento do corpo para que seu filho possa nascer. As contrações musculares uterinas são semelhantes às que acontecem quando a mulher está tendo um orgasmo e os hormônios produzidos pelo corpo quando o parto é natural são exatamente os mesmos do momento sexual, do orgasmo, mas potencializados de tal forma que em nenhum outro momento a mulher terá tal quantidade de hormônios circulando. Ou seja, o corpo dela está preparado para uma experiência de prazer. No entanto, muitas coisas podem interferir na liberação dos hormônios. A presença de pessoas que não respeitam o ritmo da mulher, as intervenções físicas, como colocação de soro, o exame de toque freqüente, o ambiente não acolhedor e frio, o fato de não poder se movimentar ou comer livremente, a crença na incapacidade de parir e de saber o que é melhor para si e para o bebê, medos e traumas profundamente arraigados na mente, tudo isso são fatores que geram tensão e estresse. Todo tipo de tensão faz com que o corpo libere substâncias que causam efeitos opostos ao dos hormônios do parto no corpo da mulher, como adrenalina e cortisóis. Estes hormônios fazem com que seu corpo se contraia ainda mais, se tensione, se feche, e isso atrapalha a continuidade do parto, ocasionando mais dificuldades e dor. Os movimentos do corpo que antes poderiam ser percebidos como prazerosos, quando a mulher está relaxada, agora se tornam dolorosos. Por isso a escolha do parto precisa se tornar um escolha da mulher.

Quanto mais bem informada ela estiver a respeito da fisiologia do parto, sobre os benefícios do parto natural, sobre suas possibilidades de conseguir passar por isso, sobre o que acontece na formação médica e porque eles agem com tantas intervenções, sobre os mitos que são tratados como verdades e muitas vezes usados para induzir a mulher às escolhas que não são as melhores naquele momento, melhor será a experiência de parto das mães e bebês. Mesmo que nas contrações haja alguma dor, após o parto, as mulheres que tiveram partos naturais relatam que passariam por tudo novamente, pois a dor desaparece assim que o bebê nasce, e muitas vezes a dor é mínima, ela é sentida com a percepção de atividade, com o prazer de quem sabe que está sendo ativa, que está fazendo exatamente o que escolheu. A dor está intimamente ligada à forma como a mulher encara a experiência e ao estado de relaxamento ou tensão do corpo.

O filme trouxe cenas lindíssimas de mulheres em expressões de prazer, mesmo nos momentos de luta, em meio a urros, gemidos, ela relatam que naquele momento estavam vivenciando todo o seu potencial, toda a gana de sentir seu filho vindo ao mundo. Para quem assiste de fora, pode parecer algo animalesco, mas para estas mulheres, foram experiências de transcendência, de muito prazer. E logo após o nascimento, vem o momento mágico, pois é o ponto de ápice da liberação de hormônios, de ocitocina. Este momento acontece para poucas, pois poucas têm a oportunidade de apenas ficarem com o bebê, relaxadas, na primeira hora após o nascimento. Esta primeira hora é importante não apenas para a amamentação, mas também para o vínculo entre a mãe e o bebê. O nível de ocitocina neste momento será o mais alto que a mulher experimentará em toda a sua vida. Se fossemos olhar a fisiologia da mulher, seria como o orgasmo mais intenso de sua vida, pois o hormônio é o mesmo, mas em quantidade muito maior. No entanto, isso não é respeitado. No filme, há um cena linda de uma das parturientes que visivelmente teve uma experiência orgástica, seus olhinhos revirando durante as contrações, seu rosto sorrindo, radiante. Fiquei encantada em ver o bebê após o nascimento, de todos os partos mostrados no vídeo, este foi o bebê mais tranqüilo após o parto, sua expressão estava realmente serena, angelical, e ele demorou ainda alguns minutos para esboçar um leve choro, que também durou apenas segundos. Foi muito lindo de ver. A mãe estava também com uma expressão de leveza e prazer como já vi em grupos de meditação, estava em êxtase.

Um filme desses é revolucionário e polêmico numa sociedade que ainda tem tantos preconceitos. Mas é extremamente necessário, para que mais pessoas possam saber que é possível algo tão magnífico, e é possível a todas, pois a possibilidade de prazer no parto está acessível a todos os corpos femininos, faz parte da natureza da fêmea humana. Basta que a mulher se prepare adequadamente, que tenha informação, suporte e as pessoas certas ao seu lado. Isso significa também ter a equipe certa, escolher profissionais humanizados, médicos que respeitem a natureza e que estejam em dia com as evidências científicas (que mostram que tudo é favorável ao parto natural). Um médico humanizado e bem informado irá realizar o pré-natal da melhor forma, irá verificar as possibilidades de um parto natural, se a gestante é de baixo risco, e a mulher irá confiar de que ele realmente está lhe passando a informação correta, baseada nas evidencias cientificas e pesquisas atuais, e não em mitos, crenças, e rotinas hospitalares que não têm mais cabimento,que já foram derrubadas pela ciência, e só prejudicam mães e bebês. Um médico bem informado e humanizado só fará uma cesariana se for realmente necessária, em caso de emergência. Um médico assim ainda é minoria e quase raridade, mas eles existem, é possível encontrá-los. E mesmo que em sua cidade não haja, com informação e vontade, é possível ter experiências menos traumáticas,e mais prazerosas, pois uma mulher bem preparada pode virar um leoa no momento do parto, ela sentirá toda a sua força e ficará menos vulnerável às manipulações que infelizmente ocorrem no ambiente hospitalar. Para que tudo isso aconteça, a mulher precisa ser ativa, precisa ser responsável pelas próprias escolhas e por ir em busca do que quer.

Você teve uma experiência orgástica, prazerosa, no parto? Conte pra gente e deixe que outras mulheres saibam que isto é possível!

Comentários

Ju 20 de novembro de 2008 às 21:17

Tive 3 dias de contrações, passei uma gravidez solteira, independente. Minha filha só saiu quando a Lua ficou cheia, à 1 da manhã. Senti tanta dor que delirava, quando a enfermeira me tocou novamente minha bolsa estourou e mijei na maca, pq não me inportava mais com nada! Ela saiu e não senti mais dor. Quando fui descansar no quarto, senti um tesão enorme e mesmo com a vagina costurada tive um orgasmo delicioso….

Daniele 23 de dezembro de 2008 às 16:19

Eu quis ter um parto humanizado, tive em casa, na minha cama, não deixei que ninguem puxasse o bebê ou ajudasse ele a sair, tive orgasmo, foi muito prazeiroso, teria mais 10 filhos, nem em uma relação sexual tive tento prazer…

Cristiane 27 de março de 2009 às 18:47

Infelizmente não tive esta experiência,sempre me preparei para o parto normal e o esperava, mas não foi possível, pois meu bebê estava em posição pélvica(sentado).Mas quem sabe na próxima…

Ingrid Rodrigues 4 de maio de 2009 às 18:36

Tive conhecimento pouco detalhado sobre o parto. Sou estudante de fisioterapia e gostaria de conhecer mais sobre o assunto. Como poderia estar em contato para esclarescer dúvidas?
Importantíssimo este tema. Que seja muito divulgado este tipo de trabalho de humanização!
Obrigada,
Ingrid Rodrigues

Luiz Santana 13 de maio de 2010 às 12:48

Para quem assiste de fora, pode parecer algo animalesco…
oq há de errado em expressar a nossa animalidade?. Se temos tanto problemas, boa parte deles se deve a tal civilização racional, que nos tanto enche de orgulho!

Patricia Birto 18 de julho de 2010 às 2:05

Nunca ouvi falar que um barto podesse causar tanto prazer.Ouvi sobre isto hj em um progama de televisão, e amei.Sou mãe de dois filhos lindos, nascidos de parto cesariana.Sempre tive vontade de ter um parto normal, mas qdo checava a hora acontecia alguma coisa que me empedia.Se conhecesse este metodo antes ficaria empolgadissíma.Acho que hj, em dia as mulheres estão se apegando muito com o avanço da ciencia , que esquecem da magia que é dar a lúz.

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