Desmame Natural

por Amano Bela em 06/06/2010 na categoria Artigos Depoimentos

Depoimento de Camila Goytacaz, mãe do Pedro

A AMAMENTAÇÃO

Camila e Pedro no barcoDesde que comecei a amamentar, ou seja, há um ano e oito meses atrás, ouvi falar algumas (poucas) vezes sobre desmame natural. Mas sinceramente, achava que isso era uma lenda. Como assim? Meu bebê, super guloso, que adora peito, que eu tenho que controlar para não mamar o tempo todo, como este bebê simplesmente não vai querer mais? Pois agora sei que é isso mesmo. Simplesmente não vai querer mais.

Hoje claramente percebo que não era eu quem estava “deixando” ele mamar e sim ele que estava “me deixando” amamentá-lo. Pedro Luis mamou loucamente desde seu primeiro contato com o peito. Na maternidade, as enfermeiras ficavam espantadas com seu apetite voraz. Às vezes machucava o braço do pai, deixando roxo de tanto sugar, enquanto esperava pelo peito. A gente dizia que ele mamava até nos sonhos. Nunca dei nenhum leite que não fosse o meu. Como meu leite também vinha muito, era um prazer e às vezes um alívio amamentá-lo.

Nos primeiros seis meses, era só leite materno e à vontade. Depois, Pedro intercalava comidas e mamadas. Com o tempo, foi diminuindo as mamadas, descobrindo outras coisas legais. Passou praticamente ileso pelas tais doenças inevitáveis do primeiro ano.

No inicio eu tinha vergonha, na hora de amamentar ia para um canto mais discreto. Depois aquilo foi se tornando tão natural que Pedro mamava em qualquer circunstância e em qualquer lugar, sem nenhum constrangimento. E foi aí que comecei a sentir a pressão.”Mas ele mama ainda? Já andando e no peito? Até quando você vai deixar?” ou o terrível “tira logo, senão depois fica muito pior”.

Mas eu curtia. Além de tudo, amamentar é prático, não precisa levar nada e a criança fica super bem, em viagens e em qualquer lugar. Não dei chupeta, nem mamadeira, e não não fizeram a menor falta.

Pedro sempre dormiu comigo e com o pai dele na nossa cama de casal, quando não a noite toda, a maior parte da noite, pelo menos. E sempre mamou à vontade. Eu chamava de “self service”, pois amamentava praticamente dormindo e, de manhã, às vezes nem me lembrava de quantas mamadas haviam sido, exatamente. Realmente, agora me lembrando bem, teve uma época, por volta de um ano e três meses, em que eu estava cansada, me sentindo sugada e presa (ficava irritada quando ele chupetava no seio). Depois passou e comecei a curtir de novo os momentos das mamadas.

O dilema começou a ficar mais frequente. Comecei a achar que tinha logo que  determinar a forma e quando ele seria desmamado. Fui me informar e foi quando aprendi sobre o desmame natural. Mas, então, eu não tinha que tomar as rédeas da situação? Me atormentei com esta questão durante um tempo.

O DESMAME

Como não achava nem o jeito certo e nem o momento de desmamar, além de adorar dar mamá, desencanei de tentar o desmame. Resolvi que iria seguir até ele completar dois anos, pelo menos, assim garantia mais proteção para meu pequeno, agora que ele vai à escola.

E foi quando eu realmente parei de me preocupar em tirar o peito, que aconteceu. Um dia, no início da tarde, Pedro não quis mamar. Ele apresentava febre e um incômodo na boca. Achávamos que era dente. Tudo bem. Acabou que era estomatite, quando algumas aftas aparecem de uma vez na boquinha do nenê, super chato. Por conta disso, ele não quis mamar nem durante a noite.

Nas primeiras 24 horas sem mamar, só queria ficar abraçadinho comigo. Queria o aconchego, mas não queria mamar. No início eu fiquei triste, queria que ele mamasse, até porque ele estava incomodado, não estava conseguindo comer nada e eu sentia que ele tinha fome. Mas depois, vi que ele realmente não queria mamar. Eu perguntava e oferecia mamazinho, e ele dizia não. Ficava encostado no peito, com a mãozinha no peito, mas sem mamar, só fazendo carinho. Ele queria o aconchego, mas não queria beber o leitinho. Eu tirava o leite e oferecia, e ele nada. Daí o leite foi diminuindo.

Depois de alguns dias, ele se recuperou totalmente. Neste momento, achei que fosse retomar às mamadas, afinal, agora já dava para aproveitar este prazer, certo? Errado. Para ele, por algum motivo, ele não precisava mais mamar. Ele não pediu e eu não ofereci. Depois de alguns dias, no banho (estávamos os dois no chuveiro), ele olhou bem para o peito e disse: mamá. Daí eu falei: o mamá acabou. Ele entendeu. Ele fez cara que entendeu, deu um beijo no peito e fez um carinho. Foi lindo. Comecei a chorar absurdamente no banho com ele. Foi uma grande emoção que vivemos juntos, pois sinto que nós nos comunicamos mesmo sem palavras nesta hora. É como se ele tivesse me dizendo que se encerrou, e eu dizendo a mesma coisa. E tudo com muito amor e muita gratidão.

Pedro foi muito sábio e tranquilo durante todo o processo, foi lindo. Ele que conduziu. O desmame foi tão assim que nem deu pra eu planejar nada, nem sabia que era aquela a última mamada, simplesmente rolou. Incrível.

Já faz duas semanas que ele não mama. Estamos muito conectados e amorosos, a gente se abraça, ele acaricia muito o peito e dorme encostado, ajeita a bochecha no meu seio e pede para eu cantar. Aprendemos outros jeitos de fazer dormir. Estamos in Love.

DAR PEITO NÃO ESTÁ NA MODA?

Cada vez mais, vejo que as mulheres estão desconectadas da importância e, principalmente, do quanto é profunda a relação mãe e filho no aleitamento, e o quanto isso é importante para ele, hoje e no futuro. É triste afirmar isso, mas observo que quanto mais informadas e com mais condição social, menos engajadas em oferecer exclusivamente leite materno e seguir amamentando até os dois anos de idade estão as mulheres. É cada vez mais raro um bebê grande que ainda mama no peito. As razões são práticas e mais atreladas ao beneficio e conveniência da mãe do que à necessidade do bebê. A mãe se sentia presa ou queria dormir a noite toda. Ou quando é focado no bebê, é algo relacionado à alimentação (como fome ou não-saciedade).

Neste caso, basta oferecer algo. Uma fruta, uma bolachinha, não tem por que esperar que ele mate a fome com peito, se já é grande. Aprendi muito neste processo. Sempre que eu tenho uma oportunidade, seja visitando uma conhecida que teve bebê ou parabenizando alguém que soube da gestação, já falo logo: dê peito!.Tão simples e tão importante.

Hoje meu filho não mama mais, mas conversa comigo carinhosamente sobre isso com as poucas palavras que domina e diz “mamá mamãe cabou”. Abre minha blusa e manda beijo para o peito. Eu entendo o que ele diz e confesso sentir uma certa saudade, sabendo que esta fase passou, que nós dois fomos muito felizes e muito completos nela. Sou muito grata às pessoas que me ensinaram tudo isso (porque eu também não sabia, achava que dar peito era só um detalhe, bem mais banal e bem menos fundamental do que verdadeiramente é). Obrigada à Bela por ter me mostrado que é uma escolha profundamente impactante em nossas vidas.

Eu aprendi que temos que confiar, pois o bebê sabe a hora para mamar e a hora para parar de mamar também, e também sabe muitas outras coisas, porque sente tudo!

Camila e Pedro

Camila e Pedro

Comentários

patricia 6 de junho de 2010 às 21:14

Lindo, simplesmente lindo! Que saudade me deu de alguns meses atrás quando ainda amamentava meu pequeno Lorenzo.
Hoje ele está com 11 meses e já sinto saudade de quando mamava no peito. Ele, assim como o Pedro, deixou de mamar por conta própria. Por mim estava amamentando até hoje.
Amei amamentar o meu filho e digo a tantas quantas vierem ler este comentário, amamentem os seus bebês, não há no mundo sensação que supere a amamentaçao de um filho!
Hoje digo que as duas melhores coisas da vida de uma mulher são: sentir o bebê mexer dentro da barriga e amamentar no peito.
Lorenzo, te amo meu filho!

Mariana 7 de junho de 2010 às 10:40

Gente, eu adoro amamentar também, mas meu filhote (que está completando 7 meses nesta semana) já está com dentinho e está ferindo meu bico - eu tenho passado pomada que dá um alívio, mas não muito. Está doendo muito, mas não queria parar de amamentar como sugeriu o meu médico. Alguém tem uma dica para mim?

Luciana 22 de junho de 2010 às 9:32

Lindo esse depoimento, que também me fez chorar de saudades. Até hoje adoro ouvir o barulhinho que a Iris faz quando toma o seu leitinho, com tanta avidez como quando mamava no peito. Ela tem agora 19 meses e vamos caminhando juntas, aprendendo juntas, eu nunca forço nada, explico que ela esta crescendo mas se quiser colo eu dou; a minha frase basica é “mamae esta aqui” … com colo, com carinho, muito beijo muito abraço. O convite ao crescimento é mesmo um convite, um eterno convite e ela é que decide quando e como.
Para Mariana: por volta dos sete ou oito meses a Iris começou com as mordidas também, eu fazia uma voz e uma cara muito sérias de verdade e dizia “é proibido morder a mamae” e simplesmente se ela repetia eu nao dava o peito. Explicando que ela mordeu e nao tem mais peito. Um tempinho depois ela pedindo de novo eu dava, claro. Essa fase nao durou muito tempo nao. Volta e meia ela ameaça me morder, se esta cansada, ou se quer ir embora de um lugar, ou se quer que eu lhe dê atençao, e eu repito que “é proibido morder quem quer que seja”. Mas eu vejo isso mais como uma busca de contato e tem a ver em geral com algum incômodo dela, os dentes nascendo, entre outros. Ofereça outra coisa pro seu bebê morder, pois morder pode, o que nao pode é morder os outros!

Ana Paula 30 de junho de 2010 às 0:58

Nossa…voce me fez chorar com o seu depoimento…minha filhinha tem 6 meses e 25 dias , quase 7…e ainda mama no peito…e nem quer papo com a mamadeira. Eu começei a entroduzir papinhas e frutinhas desde que completou os seis meses…pois até entao a Hadassa só mamava no peito…
estou trabalhando em casa para tentar o maximo de tempo com ela…moro nos EUA e aqui eles ( os médicos) estimulam muitissimo o aleitamento materno). Assim como voce, eu tbm deixo el a dormir as vezes comigo e meu esposo, mas ela é muito independente pra dormir…não encomoda e desde qe nasceu dorme tranquilamente. Quando era recem-nascida eu tinha que por o relógio pra depertar para dar mama pra ela senao ela dormia direto…estava perdendo peso. e os médicos mandavam inclusive tirar a roupa dela , deixa-la incomoda para que ela mamasse…hj ela ama mama. Ama dormir no peito…e pede peito quando esta com soninho. Eu dou yogurte ordganico para ela, toma um copinho cheio, mas mesmo assim depois ela quer o mamazinho para domir; o mesmo acontece depois do almoço… quanto a morder como a cologa acima…as vezes Hadassa aperta meu peito como se fosse morder, mas aidna nao saiu nenhum dentinho…mas desde ja eu falo pra ela com voz firme…não!!!…espero que funcione mais pra frente rsrsrs. Achei muito legal seu site…parabens e felicidades com o Baby para todas!

ISABEL CRISTINA 8 de julho de 2010 às 23:22

LINDO DEPOIMENTO.A MINHA PRINCESINHA COMPLETOU 7 MESES.E EU GOSTARIA DE PARAR DE AMAMENTAR,MAS FICO COM PENA DE TIRAR O PEITO.ELA FICA SEM MAMAR A NOITE TODA, ELA NÃO ACORDA DURANTE A NOITE, E JÁ ESTOU DANDO COMIDINHA,ELA PASSA ATÉ SEIS HORAS DURANTE O DIA SEM MAMAR,SÓ COMENDO.MAS, AÍ ACABO DANDO O PEITO PORQUE ELE FICA MUITO CHEIO,DERRAMANDO.NÃO SEI O QUE FAÇO PARA DIMINUR A QUANTIDADE DE LEITE.ALGUÉM TEM UMA IDEIA?

Camilla Gartenkraut 18 de julho de 2010 às 19:00

Cá!
Me emocionei muito lendo sobre o desmame “seu”e do Pedrinho! Lindo, profundo, sincero!
Seu filho é tão calmo, tao tranquilo..que vejo que o ‘amamentar”o bebe faz uma GRANDE diferença!
Parabens amiga!
Beijao!
Mia=)

Camila Goytacaz 19 de julho de 2010 às 15:28

Isabel, não acho que você deva tentar nem um método para diminuir seu leite! Naturalmente, ela vai mamar menos, talvez deixando uma ou duas mamadas por dia, e a produção vai se ajustar, não vai ficar vazando. Repense as razões que te levam a querer parar, considere o quanto é importante para ela (não pela alimentação, e sim pelo emocional, pelo carinho) e quem sabe você consegue seguir mais alguns meses, até que ela manifeste a vontade de parar, vai ser menos sofrido para voces duas, vale a pena! um beijo< Camila

Camila Goytacaz 19 de julho de 2010 às 15:34

Sobre as mordidas (para Mariana e outras mães que estão vivenciando isso): também aconteceu comigo, algumas vezes meu bebê Pedro mordia o seio, ou ameaçava morder. Eu também ficava irritada, pois dói bastante! Mas é importante sabermos que eles não fazem com maldade, ele fazia e ria, achava engraçado. Com paciência, devemos mostrar que mamar pode, morder o seio, não. Simplesmente tire do peito na hora da mordida, pelo menos um pouco, para ele perceber que mamãe não gostou. Com voz firme, explique para ele. É uma fase, muitas vezes com dente chegando, a gengiva coçando, eles querem morder tudo, inclusive a gente. Mas passa, tenha esta certeza! Beijos, Camila

PATRICIA PAIVA 22 de julho de 2010 às 14:43

Oi Camila,

Me identifiquei muito com sua história, é igualzinha a minha… me emocionei muuuuuito!!!!

Ainda amamento a Pietra que está com 1 ano e seis meses e estou sofrendo quanto a decisão de parar, pois ela ama seu tetezinho.

Beijossss.

luciana veliz 22 de agosto de 2010 às 23:25

que depoimento lindo, tambem estou amamentando e gosto muito pois me sinto proxima ao meu bebe que ja tem um ano e cinco meses ela se chama sofia e linda a amo demais,quando me diz mom mama .

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